este é rimance
do BOI AMARELINHO
cantado por um tal
de Chico Boiadeiro, lá antigamente, bem antigamente...

  • registro feito em 1956, na cidade de São Bernardo do Campo, SP, pelo Prof. Rossini Tavares de Lima no livro Romanceiro Folclórico do Brasil (Irmãos Vitale, 1971)

  • a primeira variante deste romance de animal foi recolhida por Amadeu Amaral, em São Sebastião da Gama, outra cidade do interior paulista, no ano de 1921

  • o Boizinho Amarelo também já apareceu em outros lugares do estado de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e
    Santa Catarina

  • diz o Prof. Rossini
    que este é um romance característico da região Centro-Sul, feito moda-de-viola, uma cantiga própria do boi de carro


  • Por onde passa o Boi?

    Boi Amarelinho



    Eu sou aquêle boizinho
    Que nasceu o mês de maio,
    Desde o dia que nasci
    Estou sofrendo no trabalho.

    Fizero logo o batismo
    Lá nas marge do riozinho,
    Por causa da minha côr
    Eu fui chamado Amarelinho.

    Meu pai era um boi turuna,
    Que nasceu num sapezá,
    Seu nome era Barbatão,
    Cô sobrenome de Marruá.

    Quando eu tava de ano e meio
    Já fizero amansação,
    Em veis de amansá de carro
    Amansaro de carretão.

    Carrêro que me guiava
    Era um mulato pimpão,
    Me dava cô pé da vara
    E chuchava cô ferrão.

    Me dava cô pé da vara
    Só fazendo judiação,
    Eu preguei uma chifrada
    Que varô no coração.

    Ai, meu sinhô já disse,
    Eu vô mandá êste boi prô corte,
    Não trabaia no meu carro
    Boi que já deve uma morte.

    Dois anos fui bezerro,
    Dois anos fui garrote,
    No fim dos quatro ano'
    Estô sofrendo a dôr da morte.

    Do alto daquele morro
    Avistei dois cavalêro,
    Tinha uma laço na garupa
    E dois cachorros perdigueiro'.

    Um era o senhor patrão,
    Que vinha me visitá,
    Outro era o carniceiro
    Que vinha me negociá.

    Adeus campo da varginha,
    Terreno dos ananais,
    O zóio que me hoje
    Amanhã não me vê mais.

    Eu cheguei no matadô,
    Não encontrava saída,
    O mió jeito que tem
    É entregar a minha vida.

    O marvado carnicêro
    Correu afiá o facão,
    Para dar uma facada
    Direto no coração.

    Botei juelho em terra
    Para vê o sangue corrê
    O marvado com a caneca
    Aparou o sangue prá bebê.

    Eu fiz uma promessa
    De quem meu côro tirá,
    No mundo dá muita volta
    E sem camisa há de ficá.


    Por onde
    passa o Boi?