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Pelos pampas do Rio Grande do Sul corre um certo animal de pelagem cor-de-barro, de um castanho avermelhado luzente... arisco e misterioso.
Vai o boiadeiro na paisagem, atrás...
"...um dia, um gaúcho pobre, Blau de nome, guasca de bom porte, mas que só tinha de seu um cavalo gordo, o facão afiado e as estradas reais, estava conchavado de posteiro, ali na entrada do rincão; e nesse dia andava campeando um boi barroso.
E no tranquilo andava, olhando; olhando para o fundo das sangas, para o alto das coxilhas, ao comprimento das canhadas; talvez deitado estivesse entre as carquejas __ a carqueja é sinal de campo bom __, por isso o campeiro às vezes alçava-se nos estribos e, de mão em pala sobre os olhos, firmava mais a vista em torno; mas o boi barroso, crioulo daquela querência, não aparecia; e Blau ia campeando, campeando..."
Na paisagem, vai atrás campeando e cantando o Boi Barroso que é rimance, que é romance em versos, que Simões Lopes Neto apresenta na seqüência da estória...
Fragmentos que se perdem, recortados que se guardam, aqui e ali, restando na boca da memória apenas o estribilho feito em cantiga tradicional...
Meu Boi Barroso Meu Boi Pitanga O teu lugar É lá na canga. |
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