""Em Minas Gerais, é grande a ocorrência, e também variada a designação. Assim, intitula-se
boi-da-manta, em Vespa-siano e Pedro Leopoldo;
reis-do-boi, em Januária;
boi-balaio, em Nova Era;
boi-laranjo, em Ponte Nova;
boi-andá, em Ferros;
boi-do-rosário, em Oliveira;
boi-lé, em Cataguases;
boi-janeiro, em Almenara;
boi-marruê, no Serro;
bois-de-reis, assim como
boi-moreno, em São Francisco;
boi-pintadinho, em Carangola;
boi-mofado, em Prados;
boi-caracu, em Guanhães;
boi-sapiroca, em Guaraciaba;
boi-araçá, em Mutum;
bloco-do-boi, em Três Pontas;
boi-malhado, em Congonhas do Norte;
Ê-boi, em Bom Sucesso.
|
[...] Em todos os lugares de ocorrência, o rito é parecido, as variantes são meros
acidentes que não alteram a essência, a intencionalidade: o tema envolve a matança do boi
para satisfazer o desejo de uma grávida. Em geral, a manifestação obedece a uma seqüência
que se inicia com o levanta-boi, depois amaia-boi, arriba-boi, amansa-boi,
mata-boi. Afinal, a exibição termina com a ressurreição do boi, porque sua morte
definitiva não pode sequer ser admitida, ela representaria um desestímulo à vida.
[...] A figura que leva os olhos de todos é o boi, feito a partir de uma armação de varas
ou ripas, coberta por um pano branco, chitado ou na cor preferida por seus organizadores.
Costuram-lhe um rabo de crina atrás, e prende-se à frente, no lugar da cabeça, uma caveira
com chifres de verdade. Um homem se coloca por baixo e o movimenta, procurando cumprir bem
sua função, isto é, parecer real: arremte enfurecido contra o vaqueiro ou contra a
assistência, empina, risca o chão com a ponta dos chifres, ginga, trema, avança ou recua,
tudo ao som de música típica e da algazarra em derredor. ""
|