Do Boi ao BrasilBumba Documento em 4 Partes de Peter O'Sagae |
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II - Boi-Sol da Meia-Noite
No início das atividades, marca espera a Hora de Guarnicê, instante dos últimos preparos e de concentração, os brincantes arrumam detalhes e o espírito próprio de suas fantasias. Costume do momento, é ter alguém sempre encarregado de molhar o Boi, "a garrafa de cachaça correndo, fraternalmente, de boca em boca, porque 'boi seco' é um boi absolutamente desmoralizado". (5)
A tônica do boi é a crítica social, exercitada através da sátira, presentificando um sentido reivindicatório, subvertendo a ordem do Estabelecimento. É costume o Padre, figura que inspira muito respeito nas comunidades agrárias, ser aquele quem mais apanha nesta festa, frente ao fracasso de ressuscitar o animal. Já aconteceu também momentos de graça, quando um negro fugidio volta para o capão, cantando esses versos, fazendo cordas de rédeas, montado nas costas de seu capturador: Capitão-de-Campo, Em seu caráter de Folclore Vivo, temas da atualidade servem de inspiração, como fatos políticos, o nascimento do primeiro bebê de proveta ou a chegada do homem à Lua. Houve até uma representação que inseriu um foguete como elemento de cena, dele saindo um astronauta capaz de operar o milagre da ressurreição do boi. |
| I - Alegria, Alegoria |
| III - Aboio da Raças | IV - Olho-de-Boi |
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SAGAE, Peter O'. Do Boi ao Brasil-Bumba: alegria, alegoria. In: Revista TEMA, São Paulo, Faculdades Teresa Martin (32) jul-dez. 1998. |