Lá vai meu boi
levantando poeira

Vem ver, morena,
no descer da ladeira

Brilho da Noite
brilha
como brilham
as estrelas
em noite de lua cheia.


Versos de Graça Reis
"Levantando Poeira"





Toadas do
Bumba-meu-Boi

é o disco
do Grupo Cupuaçu, lançado no
Morro do Querosene, na noite do dia 22 de abril de 2000, pela gravadora Núcleo Comtemporâneo
- www.nucleo.art.br



O GRUPO CUPUAÇU
PEDE ATRAVÉS DESSA ORAÇÃO QUE:

Deus guie a cabeça dos brasileiros para que haja mais amor e fraternidade, ilumine os nossos corações e que, nos próximos 500 anos, as coisas melhorem pra gente.

São Cosme e Damião ilumine as crianças para que elas possam melhorar o nosso mundo. As crianças seja acolhidas com mais carinho.

Os idosos não sejam excluídos, mas que as suas experiências nos ajudem a encontrar novos caminhos.

Todas as armas se transformem em matracas. E que juntas tragam muita paz, alegria e respeito entre as pessoas.

Haja mais justiça, principalmente a social, para que as coisas possam melhorar.

Nossos governantes amem mais o povo brasileiro. E que eles identifiquem os verdadeiros amigos que amam o Brasil.

A nossa festa sirva sempre para unir as pessoas para um convívio mais harmonioso.

A gente cuide melhor das matas, dos rios, dos mares, do ar, das cidades e seus parques, dos bairros e seus jardins e da praça onde brincamos o Boi.

Oração do Grupo Capuaçu, folheto distribuído na noite de 22 de abril, 2000, antes de começar a função da festa
Grupo Cupuaçu
Boi Brilho da Noite


Manifestação cosmopolita, um pedaço do Maranhão bate em São Paulo: é o Morro do Querosene no diálogo música-dança do Boi, o Brilho da Noite do Grupo Cupuaçu...

O batalhão formou-se em torno de Tião Carvalho que ali chegou há mais de 20 anos, encontrando uma comunidade de portas abertas para sua arte de fazer surgir, dançar, morrer -- e, então, ressurgir e dançar com mais força -- o boi em meio a tantos brincantes urbanos.


Boi, boi, boi
Boi da madeira bordada
Quem mandou bordar fui eu            

Tem uma conta luminosa
É só pra morena ver
Todo mundo quer comprar
Mas eu não posso vender.

"Boi da Madeira Bordada",
Augusto Quitandeiro


Desde 1986, o Boi ganhou o alto do Morro do Querosene, movido por gente que compartilha da mesma "filosofia de fundo de quintal": que toda arte seja, enfim, uma ação social. Na noite de lançamento do disco Toadas do Bumba-meu-Boi, antes mesmo da função principiar a folia, uma oração se erguia no ar, através da voz da comunidade e de outros mais que ali estavam...

Então, o apito do mestre soou, comprido, bonito, esperado... Com eles, o ataque dos pandeirões, afinados que estavam com o calor da fogueira e das pessoas na roda... por todo lado, as matracas na mão das gentes: quem não era do grupo, trazia de casa tacos, tabuinhas, pedaços de cabo-de-vassoura... também chocalhos chacoalhando e ganzás ganzazeando... Bailaram todos, caboclo de pena e indiazinha, dona igreja, Mateus e Catirina, a mula mansa que não dava conta de empurrar o público no vamos-abrir a roda e, claro, ele, o Boi Brilho da Noite no centro.

«Neste instante, todo o lirismo e fantasia de adereços como os canutilhos e miçangas, a poesia do Bumba-meu-Boi, o soar dos pandeirões e maracás e o gingado das meninas, percorrem não apenas nosso imaginário, mas tornam-se palpáveis e valiosos.» -- escreve Tião Carvalho, no encarte do disco de toadas do Querosene.


Eu já falei com os olhos
Que te amo e você não ouviu
Eu já falei com as mãos
Que te quero e você não sentiu

Eu já fui até a lua
Pra tentar te convencer
E acabei
Conquistando a lua
Só não conquistei você

Eu já fui até a lua
Pra tentar te convencer
E acabei
Namorando a lua
Só não namorei você.

"Até a Lua",
Ana Maria Carvalho


Para ir s'embora, a louvação ao nome glorioso de São João, São Pedro, São Paulo, São Benedito, Santantônio, São Marçal, São Gonçalo, São Luiz, para ter força na canção. Amém.


Adeus, morena
Para o ano se Deus quiser
Eu quero bordar seu nome
Na aba do meu chapéu

Tem a barra de lamê
Tem as pontas muito finas
Tem o couro muito lindo
Quem bordou foi a menina

"Barra de Lamê",
Cacau
Por onde
passa o Boi?