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DRAMA E FETICHE
Vodum, Bumba-meu-Boi
e Samba no Benim Funarte, 1998
Um álbum para ouvidos exigentes é esse Drama e Fetiche, uma viagem de regresso à África-mãe em companhia dos negros e seus cantos, revelando nas tradições as marcas e ressonâncias da musicalidade brasileira. Tão longe, no Benim, as cidades de Uidá e Ketu são as paragens de permanência de Marcos Branda Lacerda (ECA/USP), o nome responsável pela pesquisa de campo, realizada no ano de 1984, oferecendo registros sonoros mais fotografias e textos no encarte como passaporte. Aqui, o destaque fica as faixas do BURIAN
os cantos que compõe o burian - ou burrinha - de Uidá são uma transposição do Boi pernambucano para o outro continhemte. É ele, o Boi, que surge em primeiro lugar quando se narram as diversas máscaras que compõe a cerimônia. Prato cheio para musicólogos e lingüistas, este repertório se constitui em elemento inteiramente diverso para a sensibilidade africana: destacam-se suas palavras em português perfeitamente perceptíveis e mescladas a vocabulários antigos ou recentemente incorporados; a alusão ao catolicismo; a ausência de ritmos ternários [...] e o domínio da tonalidade, que atestam a disciplina mantida por gerações na realização desse "fetiche dramático" do sul do Benim [...] O conjunto instrumental indica para a assimilação de elementos afro-brasileiros, onde se presume preponderar a influência banto. Os quatro tambores quadrados, que em iorubá recebem o nome de sámbà, mantêm basicamente o mesmo nível de atividade e compõem uma textura linear variada em todas as suas partes. Waterman (1990) vê no Bumba-meu-Boi levado do Brasil um dos elementos mais importantes no processo de transformação a que foi submetida a música popular iorubá neste século. Toda essa festa, entre vodum, samba, drama e fetiche, é proporcionada pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - FUNARTE. A coordenação de projeto é assinada pela amiga Rosa Zamith. |
| Por onde passa o Boi? |