| |
página originalmente disponível em
www.ma.gov.br/sao_luis/bumba_meu_boi.htm
O Auto do Bumba-Meu-Boi
Os
brancos trouxeram o enredo da festa; os negros, escravos, acrescentaram o
ritmo e os tambores; os índios, antigos habitantes, emprestaram suas
danças. E a cada fogueira acesa para São João, os festejos juninos
maranhenses foram-se transformando no tempo quente da emoção, da promessa
e da diversão. É nesta época de junho, que reina majestoso o
Bumba-meu-boi. O
auto popular do Bumba-meu-boi conta a estória da Catirina, uma escrava que
leva seu homem, o nego Chico, a matar o boi mais bonito da
fazenda para satisfazer-lhe o desejo de grávida: comer língua de boi.
Descoberto o malfeito, manda o Amo (que encarna o fazendeiro, o
latifundiário, o "coronel" autoridade) que os índios capturem o criminoso,
que, trazido à sua presença, representa a cena mais hilariante da comédia
(e também a mais crítica no sentido social). Para ressuscitar o boi,
chama-se o doutor, cujos diagnósticos e receitas estapafúrdias ironizam a
medicina. Finalmente, ressurgido o boi e perdoado o negro, a pantomima
termina numa grande festa cheia de alegria e animação, em que se confundem
personagens e assistentes.

Com traços semelhante aos dos autos medievais, a brincadeira do
Bumba-Meu-Boi existe em outras regiões do País, mas só no Maranhão tem
três estilos, três sotaques, e um significado tão especial. É mais que uma
explosão de alegria. É "quase uma forma de oração", servindo como elo de
ligação entre o sagrado e o profano, entre santos e devotos, congregando toda a
população.
O Bumba-Meu-Boi, na verdade, nasce de pagamento de uma promessa feita ao
"glorioso" São João, mas nas festas juninas maranhenses também se rendem
homenagens a São Pedro e São Marçal.
|
|