Coro Cabeludo
Gramofone Áudio 1999

General da Banda
Terra do Sempre
João Sebastião
Benke
Pipoca
Maricotinha
   / Maracangalha
Negro Céu
Margarida
Sabiá
Sinhá Marreca
   / Fui Passar Na Ponte
   / Jacaré Poiô
Ruas e Flores
Yonah




Coro Cabeludo é o sugestivo nome de um coral infantil de Curitiba, coordenado por Cristina Lemos, Solange Gomes e Itaércio Rocha. Sempre em busca de um compromisso sério com a música e a educação, o Coro Cabeludo traz em seu repertório compositores clássicos e populares, revelando às crianças muitos nomes esquecidos (ou escondidos) pela mídia comercial. No primeiro CD do Coro Cabeludo, podemos conferir a alegria e o envolvimento de um trabalho maduro, com 10 anos de bagagem (de boa bagagem musical!).

Abrindo o disco, uma algazarra de vozes, um clima mais-que-propício para fazer passar o General da Banda. Esse samba de José Alcides, Raimundo Sátiro de Melo e Tancredo Silva, gravado originalmente em 1949 por Blecaute, soa aos ouvidos como uma deliciosa homenagem ao sambista carioca que, sempre vestido em muitas cores, dragonas e lantejoulas, dava início aos carnavais, abrindo os desfiles, além de comandar as duas torcidas em dias de Fla-Flu no Maracanã.

Também ouvimos, dois sambas baianos de Dorival Caymmi, em uma única faixa: Maricotinha, recentemente gravada por Maria Bethânia em seu disco com esse mesmo título, e Maracangalha, lançada em agosto de 1956. De Milton Nascimento e Márcio Borges, encontramos Benke, interpretada com extrema sensibilidade nas vozes e no arranjo assinado por Vicente Ribeiro. Somente esses quatro exemplos nos dão pistas sobre a sintonia do grupo Coro Cabeludo com o que há de melhor na MPB, além de evidenciar que a escuta de canções para crianças, por crianças, nem sempre é condicionada por um padrão da moda. Ao contrário, o universo lúdico exige qualidade e pode apropriar-se de qualquer repertório.

Na linha das canções produzidas 'especialmente' para o público infantil, o Coro Cabeludo não faz por menos e foi buscar Arnaldo Antunes e Paulo Tatit, Sandra Peres e Edith Derdyk, nas faixas Pipoca e Negro Céu, respectivamente. Autores e títulos, pode-se dizer, bem conhecidos pelas crianças através do selo Palavra Cantada. E a eterna Bia Bedran é outra presença no disco, no samba de seis mortos esticados e cinco vivos passeando, o violão João Sebastião.

Cancionetistas curitibanos respondem pelo tom mais romântico e calmo do álbum. Entre eles, encontramos Lydio Roberto com duas canções: Sabiá, de pouso e cafuné suaves, e Ruas e Flores, com visões do inverno, da cidade e a noite, de ventos e amores, bocas pintadas e poetas gentis, do fogo nos abraços; Rosy Greca, autora de sereias, duendes, os sacis e as fadas da Terra do Sempre, participando da gravação; Renato e Roberto Oliveira, com Margarida, uma cantilena ecológica de bem-me-quer e mal-me-quer; e ainda Cristina Lemos e Etel Frota, no belo acalanto Yonah.

Completando o variado painel sonoro, uma quase-embolada de três canções do folclore brasileiro: Sinhá Marreca, Fui Passar na Ponte e Jacaré Poiô, com a participação do grupo Mundaréu, no arranjo, nos vocais e na percussão, em festa.


Peter O'Sagae
O Caracol do Ouvido
janeiro/2003

página inicial

  • Visitando a página do Coro Cabeludo na gravadora Gramofone Áudio, você pode ver o encarte completo deste CD e, além de conferir 6 clipes, ouvir 3 faixas integrais acessando MP3.com.