Certa manhã de inverno,
uma formiguinha saiu
para o seu trabalho diário.
Já ia muito longe, a procura de alimento,
quando um floco de neve caiu e prendeu o seu pezinho.
Aflita, vendo que não podia se livrar da neve,
iria assim morrer de fome e frio,
voltou-se para o sol e disse:
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A Formiguinha e a Neve
« Oh, sol! Tu que és tão
forte, derrete a neve que
prende o meu pezinho. »
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Assim começa a lengalenga choraminga da formiga
que vai pedindo ajuda ao indiferente sol,
ao muro que nada vê e muito pouco fala,
ao ratinho, ao gato, ao cão, ao homem
sempre preocupado com seu trabalho, à morte...
Trata-se de uma história acumulativa que foi,
talvez pela primeira vez, transcrita da boca do povo
para o papel por Adolfo Coelho em seu livro
Contos Populares Portugueses, de 1879.
Eis aqui o entrecho final da antiga lengalenga:
Ó carniceiro, tu és tão forte
que matas o boi,
que bebe a água,
que apaga o lume,
que queima o pau,
que bate no cão,
que morde o gato,
que come o rato,
que fura a parede,
que impede o Sol,
que derrete a neve
que o meu pé prende!
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E responde o carniceiro:
Tão forte sou que a morte me leva...
No entanto, na adaptação de João de Barro,
a formiguinha ergue a Deus uma prece e vê chegar a primavera em seu carro de veludo e ouro,
enchendo a terra de luz e de flores.
Melodiosa é a flauta que abre a música composta por Radamés Gnatalli
e vai comentando a história, muito leve e sinuosa, entre a orquestra
de cordas e a harpa.
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Coleção Disquinho © 1960
Adaptação:
João de Barro
Música:
Radamés Gnatalli
Elenco:
Teatro Disquinho
Narração:
Sonia Barreto
Tempo: 6'33
Disco vira livro
o ilustrador Rogério Borges cria clima de austeridade para o drama da pequena formiga
que tem o pezinho preso por um floco de neve. Na capa, a aproximação da fria morte.
Coleção Clássicos Infantis (Moderna, 1995)
 em 1995, o livro recebeu a
a láurea Altamente Recomendável para a Criança. Leia as considerações de Nilma G. Lacerda e de Ninfa Parreiras
na página da FNLIJ
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