« Era uma vez uma baratinha.
Varrendo a casa, achou um vintém.
Comprou uma fita, amarrou no cabelo
E foi à janela cantar assim... »

Estória da Baratinha

Quem quer casar
com a senhora baratinha
Que tem fita no cabelo
e dinheiro na caixinha?

É carinhosa
e quem com ela quiser se casar
Terá doces todo dia
no almoço e no jantar

Passem, passem, cavalheiros,
passem todos sem parar
O mais belo com certeza
minha mão irá ganhar!


Opereta à brasileira com toques cômico-dramáticos soando por toda a orquestração de Francisco Mignone: com "pompa e circunstância", abre as cortinas do espetáculo ao clarinete em surdina como
a anunciar uma nova manhã.

Baratinha à janela, os canditados a noivo se apresentam: o boi, o burrinho filósofo, o cabrito...
mas todos eles (mugem, zurram, berram) fazem muito barulho para ouvidos tão delicados! Até que aparece garboso e pimpão, o eleito... e, então, tudo se ajeita
-- pelo menos, é o que parece:

Proclamas

  Na matriz do Rancho Velho,
dia sete, casarão
a Senhora Baratinha
e o Doutor João Ratão

A sua amável presença
será muito apreciada
Pode trazer os amigos
e também a criançada

Porque, depois do casório,
vai haver festa animada
sendo servida aos convivas
uma lauta feijoada


Ah, maldita feijoada, diz a narradora preparando o clima de desgraça que está para acontecer... a música
-- que vem da cozinha da casa da Baratinha --
leva o cheiro da panela e desperta os sentidos do adormecido noivo que, em sonhos e guloso que era,
já se vê dividido entre o toucinho e o casamento.

Samba
de Mestre Macaco

  Abana o fogo, macacada, abana o fogo
Abana bem, bota a panela no fogão
Está na hora de aprontar a feijoada
Para o banquete do Dr. João Ratão

Feijão, carne seca, lingüiça mineira
Orelha de porco pra dar e vender
Toucinho fresquinho, toucinho gostoso
Toucinho cheiroso pra gente comer


Sem imaginar que está para ser trocada (tolinha!),
a Baratinha se veste:

Modinha das Sete Damas de Honra

  Vejam só que formosura
bem no dia do noivado
A senhora Baratinha
com seu vestido rendado

Com seu véu de sete metros,
sapatinhos de cetim
Seu corpinho perfumado
com essência de jasmim

Irão todos certamente
quando a virem tão faceira
Girar mais do que a grinalda
de flores de laranjeira


Mas, o resto da história... é roteiro de novela!






Coleção Disquinho
© 1960

Adaptação e melodias: João de Barro

Orquestração:
Francisco Mignone

Elenco:
Teatro Disquinho
Narração:
Sônia Barreto

Tempo: 12'44



Disco vira livro Avelino Guedes ilustra A história da Baratinha (Moderna, 1995)


Uma idéia:
comparar as versões da história em suportes diferentes.

Aqui temos a adaptação de Braguinha no formato de audioficção, cujo texto foi publicado integralmente pela Moderna (1995).

No disco Dois a Dois, do grupo Rodapião (1997), encontramos a versão portuguesa Estória da Carochinha que se assemelha mais a um rimance (letra no encarte).

Para o teatro,
temos O casamento de Dona Baratinha que é uma peça em um ato (curtíssima) que Walmir Ayala escreveu e está em seu livro Teatro infantil, da Ediouro (1961).

Na forma de conto, Figueiredo Pimentel, um dos autores da Biblioteca infantil da Livraria Quaresma, apresenta História de D. Carochinha, no volume 1 da coleção (1894, 25.ed. 1959).

Em Portugal, o escritor António Torrado possui uma versão rimada:
A história da Carochinha e do infeliz João Ratão, publicada pela editora Civilização (1987).

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