« São Pedro manda avisar aos bichos deste sertão:
há grande festa no céu na noite de São João.
Não deve faltar à mesma nenhum bicho voador:
do mosquito à borboleta, do colibri ao condor!
E para bicho sem asa não fazer vestido à toa,
manda frisar que a festança é só pra bicho que voa! »
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Festa no Céu
Leve e divertida é a adaptação de João de Barro para esta história popularmente
conhecida, em muitas versões espalhadas pelo Brasil. Ora vai um sapo, ora vai um
jabuti, ou qualquer outro bicho-que-não-voa meter-se nas alturas, lá na Festa do Céu...
Nesta audioficção, tudo começa em certa manhã de junho, para os lados do sertão,
no tempo em que os bichos falavam: na beira da lagoa, sentado em uma pedra e redondo
feito uma bola, Mestre Sapo ensina com voz grave a tabuada para os sapinhos da escola --
que coaxam, coaxam, coaxam parcelas de três-vezes-quatro sem chegar ao resultado:
Tabuada
ouvir
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Quatro Mais quatro, quatro Com mais quatro, quaaaatro. __ 'Tá erraaaado!
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Chega o convite de São Pedro, na voz estridente
da araponga e, imediatamente, a saracura e marido irrompem a cantar a cantiga do costume ---
mas, para encher a paciência do sapo, emenda logo uma quadrinha pelo meio:
Tema e Provocação da Saracura | |
Quebrei três potes! Quebrei três potes! Com um coco só! Um coco só!
Quebrei três potes, três potes, três potes! Com um coco só! Um coco só!
Vai haver festa no céu Na noite de São João Mas só vai bicho que voa Mestre Sapo não vai não...
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Resposta do Sapo | |
Tá errada a magricela Saracura bobalhona Mestre Sapo vai à festa Nem que seja de carona!
Quatro Mais quatro, quatro Com mais quatro, quaaaatro. __ 'Tá erraaaado!
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A discussão fecha a primeira parte da história,
com uma solução musical interessante, orgânica. Cada tema, ligado a um personagem, traz
palavras brincando de ser onomatopéia como a voz original de cada bicho:
é como se todo sapo coaxando coaxasse "tá errado!", na imensidão de um brejo que ecoa
"quatro com mais quatro, quatro com mais quatro..." e, ao mesmo tempo, o ritmo martelado
do canto da saracura pode iludir nossos ouvidos: o que nos permite imaginar que ela
esteja sempre fazendo e falando, ao mesmo tempo que faz: quebrei três potes, três potes,
três potes! E essas duas linhas de idéia-melodia juntam-se no diálogo de Mestre Sapo com
a Saracura, pura provocação!
O resto da história todos nós já conhecemos: como é que sapo voa? Mestre Sapo
encontra sua providencial carona:
Moda do Urubu | |
Vai haver festa no céu Vou levar meu violão Vou cantar a noite inteira, ô Bam, banram, bandam, bandão
A festança vai ser boa Vai ter canjica e quentão Mas só vai bicho que voa, ô Bam, banram, bandam, bandão
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Urubu cochilando, sapo entrando no pinho, isto é,
no violão... mas, durante o vôo, desconfiado do peso, o cantor investiga o instrumento.
Não dá outra: dá de cara com o folgado sapo!
Samba do Urubu | |
Sai daí, sapo danado Sapo velho, cururu Sapo não vai para o céu Na viola de urubu
Vou jogar você lá embaixo -- Tá errado, seu doutor! Desta vez eu te esburracho -- Tá errado, sim senhor!
Mas agora eu te perdôo, Bicho feio da lagoa Só pra ver, no fim da festa, Como é que sapo voa
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Por ora, a história promete continuar: não podia
acabar assim, sem mais, nem menos, sem sapo a reinar no céu. Lá no alto, mosquitos e
besouros emprestam agudos e graves para uma marchinha:
Tema Junino | |
Sobe, sobe, balãozinho Balãozinho multicor Vai ser mais uma estrelinha Pra louvar nosso senhor
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Durante a festa, incidentes vão acontecendo...
desviando o rumo da história, diferente de outras versões, o compositor João de Barro
acaba colocando o sapo dentro de um trombone, o trombone de um macuco não muito esperto --
e o que ouvimos, afinal, é a melodia do refrão de Tem gato na tuba, composta
originalmente em 1948. Em vez de um compassado miado de gato, o repetitivo Mestre entoa
"Tá errado!" até a irritação do maestro...
A narrativa termina com tons diversos: de humor, com o sapo despencando (sim!)
e gritando a ordem impossível: "Afasta, pedra, senão te esborracho!"; de lenda,
a explicar como os sapos se tornaram bichos de olhos esbugalhados, feios e chatos, não
mais redondos e belos como outrora; e de fábula, ao gosto da época (será?), com
sua irrevogável moral: ir a festas sem convite, já sabemos: "Tá errado!"
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Coleção Disquinho
© 1960
Adaptação e melodias:
João de Barro
Orquestração: Radamés Gnatalli
Elenco: Teatro Disquinho
Narração: Simone Moraes
Tempo: 12'35
A VOZ DO OUVINTE
Eu acho a coleção Disquinho sensacional!!!
Ainda tenho os discos da época, mas não tenho como ouvi-los,
já que agora uso só o aparelho de CD. Então resolvi comprar alguns de que mais gostava quando era criança. Entre eles,
Festa no Céu,
Dona Baratinha, Ali Babá etc.
Tenho certeza que esta coleção fará muito sucesso entre as crianças e alguns mais "velhinhos" com saudades da infância.
Lucia G. Maier Rio de Janeiro
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