Vinha um burro, certa vez,
alegremente a trotar
quando parou, de repente,
pra ouvir um grilo cantar:
__ Que canto maravilhoso!
Cante outra vez para mim!
Eu tudo, tudo faria
pra poder cantar assim.

«Ele canta muito bem,
eu só consigo zurrar.
Se eu comesse o que ele come,
talvez pudesse cantar.»

6 Fábulas de Esopo
são recriadas em versos por Elza Fiúza:
O Carvalho e o Junco nos faz lembrar que quanto maior a altura (e o orgulho), maior é o tombo...
com O Golfinho e o Leão, rei na terra e rei na água, descobrimos que, nesta vida, cada um conta apenas consigo. Em O Burro e o Sal, a fábula mostra que para um esperto, sempre há outro esperto e meio... Na beira da lagoa, Os Dois Sapos ensinam que é preciso ser prudente e pensar antes de agir...
A lição em A Formiguinha e a Pomba é
nunca nos arrependermos de sempre fazer o bem... Por fim, prossiga a leitura de O Burro e o Grilo:

__ Escute aqui, amiguinho,
você, quando está com fome,
também gosta de capim?
Diga-me: o que você come?

__ Ora-ora, eu como pouco;
isso nem me dá trabalho.
Minha comida aqui está:
eu me alimento de orvalho.

__ Só de orvalho... Ó, muito bem!
Pois vou comê-lo também.

E desse dia em diante
o coitado do burrinho,
de tanto beber orvalho,
ficou magrinho, magrinho!
E depois tentou cantar
mas só conseguiu zurrar.

E o grilo que, nesse instante,
do seu galho, tudo ouvia,
perguntou: __ Que foi que houve?
Por que essa gritaria?

__ Ai, amigo, estou tão fraco,
estou magro como o quê
de tanto comer orvalho
pra cantar como você.

__ Ora essa, que tolice!
Não queira igualar-se a mim!
Os burros devem zurrar
e devem comer capim.

Pois que lhe sirva a lição
e que aprenda de uma vez:
Cada qual com seu destino,
cada qual como Deus fez!





Coleção Disquinho
© 1963

Versos: Elza Fiúza

Músicas:
Radamés Gnatalli

Elenco:
Teatro Disquinho
Narração:
Simone Moraes

Tempo: 14'20



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