__ Cocorocó!
Mas o que é isso, menino?
Onde já se viu tamanho berrreiro
dentro do meu galinheiro?

O Pintinho Quiquiriqui

__ Veja, seu galo, que lindo!
Ele veio vindo, veio vindo,
e caiu bem direitinho
na ponta do meu biquinho!


Uma carta para o rei
ou um pedacinho de papel que caiu do céu à toa?
Pouco importa: lá vai o Quiquiriqui...

Tema do Quiquiriqui

  Quiquiriqui-qui-qui,
tralalá lalalarei!
Eu levo no meu papinho
uma carta para o rei!

Quiquiriqui-qui-qui,
tralalá lalalarei!
Eu levo no meu papinho
uma carta para o rei!

Divertido e delicado canta-conto de origem ibérica,
em ritmo de lengalenga, onde todos os obstáculos
do caminho (um ribeirinho, a parede e o espinheiro) vão desaparecendo no papo do pintinho...

Radamés Gnatalli orquestrou os passos do pequeno viajante com animação, sem perder nenhum detalhe,
do ciscado no terreiro à perseguição final. Com lances de magia, sonoplastia afinada, vozes e paisagens que
se movem, essa grande aventura sonora forma nítidas imagens na mente do ouvinte: é como se vivêssemos, junto ao Quiquiriqui, cada ação e pensamentos seus.
Aliás, o pintinho, volta e meia, se diz:
« Mas eu sei o que vou fazer! »
« Depressa, Quiquiriqui! »
E quem ouve também sabe o que fazer, tem ganas de correr mais depressa, torce pelo herói emplumado...

De todos os títulos da coleção Disquinho,
esta é a minha história mais querida. Quando criança,
lá pelos idos de 1974, o Quiquiriqui chegou em dia
de aniversário, fez a festa, triste arteiro, e foi ficando, ficando, ficando na lembrança... até que, petulante,
ele saltou novamente na minha frente, no meu primeiro dia de aula como professor de Literatura Infantil, bem na hora de começar! A canção foi saindo do papinho, de tal modo, que o Quiquiriqui instalou-se de vez no programa da disciplina (quem viu, ouviu)...
sem CD que não havia, fui ciscando na memória!

  Ele é branco e amarelo, Lalá
Tem a crista bem vermelha, Lalá
Bate as asas, Lalá
Abri o bico, Lalá
Ele faz quiriquiqui!






Coleção Disquinho
© 1973

Autora: Elza Fiúza

Arranjos:
Radamés Gnatalli

Elenco:
Teatro Disquinho
Narração:
Simone Moraes

Tempo: 13'39



Disco vira livro
O Pintinho Quiquiriqui,
il. Lenina Lacerda (Moderna, 1995)


No livro Contos Populares Portugueses,
Adolfo Coelho nos dá uma das versões mais antigas dessa história, O Pinto Borrachudo, registrada em 1879.
Na região do Algarve, existe O Pinto Calçudo --- lá, na verdade, trata-se de um menino pequeníssimo, do tamanho de um polegar que engole até mesmo uma raposa e um lobo.


No Brasil, em 1885, Sílvio Romero coligiu uma versão, chamada O Pinto Pelado, de Sergipe, que depois fora adaptada por Figueiredo Pimentel, como História de um pintinho, no livro Histórias da Avozinha.


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