MÚSICA | Grupo MUNDARÉU grava em disco antológico
uma das principais manifestações populares do país
Guarnicê - uma singelaopereta popular
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Reza
Bandeira branca / Guarnicê
Lá vai / Peço a Deus
Maracá de prata
Boi do Amazonas
Boi Barroso / Cavalo-marinho
Coco do macaco Saruê
Miquelina e Nêgo Chico
Roubo do boi
Burrinha
Cabrinha
Bernunça
Maricota
Gavião
Já morreu meu boi
Índios
Juruguruna / Cobrinha verde / Itacolomi / Campos de oliveira
Nosso boi urrou
Urrô do boi
Linda morena
Cortejo natalino Mundaréu © 2005
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Bumba-Boi revela a identidade brasileira
CD surgiu da pesquisa sobre o auto em diversas cidades
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Rodrigo Browne *Gazeta do Povo |
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Assim como a colcha de retalhos que reúne uma série de panos bem coloridos e ganha uma forma viva e alegre, o grupo MUNDARÉU reuniu várias canções do Bumba-Boi por diversas regiões do Brasil e criou o espetáculo Guarnicê – Uma Singela Opereta Popular que, depois de ter sido apresentado no ano passado com muito sucesso em Curitiba, acabou virando um belíssimo disco. Vivo e alegre. Nesse trabalho, o grupo paranaense consegue mostrar a verdadeira essência da cultura brasileira com todas as suas influências ancestrais.
Há alguns anos, o grupo MUNDARÉU vem trabalhando com a música de raiz. Seus integrantes – DaniElla Gramani, Itaércio Rocha, Leandro Teixeira, Mauricy Pereira, Melina Mulazani, Nélio Spréa e Richard Rebelo – resolveram então mergulhar numa das principais manifestações culturais do país, o Bumba-Boi que, na opinião de Itaércio Rocha é uma forma majestosa da mistura brasileira. "Existe uma miscigenação resolvida quando as três influências se misturam e não se sabe qual é a que pesa mais. O bordado europeu, o batuque africano ou a dança indígena. As pessoas representam essa cultura", considera. Para ele o Bumba-Boi não é folclore e, sim uma forma viva de teatro popular brasileiro.
O disco, com pouco menos de uma hora de duração, é o registro fiel do espetáculo. Guarnicê é o momento de preparo para a representação do "Auto do Boi" que já foi definido por Mário de Andrade como uma dança dramática. Em qualquer região a forma de apresentação é igual e, para dar início à brincadeira, começa com o canto de reunir e guarnecer. Em seguida é entoado o "Lá Vai", música que faz a caminhada de deslocamento do espaço quando o grupo se aquece indo para o local da apresentação onde é cantado o "Cheguei", uma saudação. Só aí que o Bumba-Boi acontece.
A trama se desenvolve com a chegada do casal Nego Chico e Miquilina Catirina numa fazenda. Ele consegue emprego de "cuidadô" de boi e ela tem o desejo de comer a língua do bicho pois está grávida. Nego Chico cede aos desejos de sua mulher pois, caso contrário, o filho que ela espera pode morrer. Quem morre, então, é o coitado do boi. Mas num grande final, o animal, por alguma razão divina (que pode mudar de acordo com região do Brasil), ressuscita e o casal é perdoado. Na versão apresentada pelo MUNDARÉU,
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foto : Peter O'Sagae

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depois de uma pajelança, o boi volta viver com beijo no "fiofó" dado pelo casal que comeu a língua dele.
Apesar do grupo ter recolhido canções do Bumba-Boi em diferentes regiões, com e músicas e "toques" próprios, a unidade da história foi mantida. Criou-se, conseqüentemente um novo boi, o Boi do MUNDARÉU. O único "senão" do disco é que o ouvinte – que não pode visualizar a encenação – não encontra no encarte (caprichado e com a assinatura da talentosa Paola Faoro) explicações sobre o que se passa durante a narrativa do auto. Mas isso não diminui o mérito do grupo que fez um trabalho importantíssimo e muito gostoso de se ouvir.
* BROWNE, Rodrigo. Bumba-Boi revela a identidade brasileira. Gazeta do Povo, Curitiba,
04 de out. 2000. Caderno G. Capturado em 10 de nov. 2000. Online. Disponível na Internet
http://www.gazetadopovo.com.br/arquivo/visual_noticia.php3?form=Mundaréu&id=389
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