A Raposa e o Corvo


J. J. Grandville
 


O Corvo apanhou um queijo, e com ele fugindo, se poisou sobre uma árvore. Viu-o a Raposa, e desejou de lhe comer o seu queijo: e pondo-se ao pé da árvore, começou a dizer ao Corvo: -- Por certo que és formoso, e gentil-homem, e poucos pássaros há que te ganhem. Tu és bem disposto e mui galante; se acertaras de saber cantar, nenhuma ave se comparará contigo. Soberbo o Corvo destes gabos e desejando de lhe parecer bem, levanta o pescoço para cantar; porém abrindo a boca, caiu-lhe o queijo. A Raposa o tomou e foi-se, ficando o Corvo faminto e corrido de sua própria ignorância.


 Fábula de Esopo, vertida do grego por Manuel Mendes, da Vidigueira.
 BRAGA, Teófilo.  Contos tradicionais do povo português - vol. II.  5.ed.  Lisboa: Dom Quixote, 1999.  p. 278.