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The World Sings Goodnight
O mundo canta boa-noite nas 33 faixas deste álbum produzido e compilado pelo músico Tom Wassinger. Apresentadas por intérpretes "nativos" da própria língua, algumas canções foram até mesmo gravadas em locações externas. Os ninares são cantados, em sua grande maioria, a cappella; os instrumentos, quando aparecem, entram com delicadeza como se pudessem traduzir o silêncio que serve de acompanhamento à voz que ninamanha a criança insone. O resultado de tudo isso é a audição da variedade e da riqueza de vozes que cobrem o globo com seu brilho e acentos naturais.
O embalo sonoro começa na Argentina, onde os negritos esperam Papai Baltazar chegar, montado em um camêlo, sobre as nuvens e estrelas... Na Indonésia, uma paisagem menos sonhadora: é a vez da mãe que suplica ao filho para dormir e crescer rápido, forte e saudável: assim poderá cuidar dela porque seu pai fora embora, esquecendo-se de ambos... e como uma viagem de uma noite sobre a terra, podemos ouvir desejos variados, pedidos, carinhos, ameaças que cruzam os cinco continentes.
Um dos destaques é uma lengalenga vinda do Senegal. De tempos em tempos, o cantor diz na cantilena, sorridente: "Ouça, criança, ouça! Sua mamãe está longe, o seu pai também... mas quando eles voltarem, trarão um presente para você. Por isso, ouça, ouça, ouça..." e continua sua incansável enumeração.
Dois anos depois do sucesso do primeiro World sings goodnight, Tom Wassinger partiu em uma nova caminhada pelo mundo, recolhendo acalantos de países que não foram incluídos no disco anterior, entre eles, Israel, Líbano, Mali, Sérvia, Taiti, além de canções de algumas tribos de índios norte-americanos.
Lullaby, a Collection
Doze canções de ninar por "gente grande" do cenário da World Music. Alguns exemplos são Loreena Mckennitt, voz e harpa em
Courtyard Lullaby; o grupo masculino a cappella sul-africano, porta-voz da resistência nos conflitos do Soweto, Ladysmith Black Mambazo com a canção Be Still My Child; Bobby McFerrin e seu estilo único reinventando Common Thread; e o grupo Take 6, com a canção gospel Lullaby.
The Planet Sleeps
O Mundo dorme... mas vale ficar desperto para ouvir as canções deste disco que traz, em sua capa, um menino cabeça-e-asas-de-pássaro sobre um peixe (que nada? que voa?) sobre o fundo verde como um céu (de sonho). Além da estranha beleza da capa, o mergulho na tradição de 16 países, entre eles, Alemanha, Bretanha, Haiti, Índia, Japão, Tonga, Algéria e Camarão.
O álbum assemelha-se a um estudo e sua tese central é que não há distâncias musicais. Algumas canções podem começar com um pequeno solo. No entanto, ganham dimensões de massa coral e as surpresas acontecem, com muitas transições cantadas "senza parole", discurso e vocalizes sem palavras. Se a geografia assinala a distância, as aproximações vocais fazem caminho inverso... A sonoridade se adensa e enriquece o ouvinte na experiência da música como linguagem universal.
Latin Lullaby
A Ellipsis Arts tem sido responsável por um bom número de coletâneas de músicas e canções folclóricas, na onda do fenômeno místico-musical da New Age e sua corrente mais terrena e atual, a World Music.
Neste álbum,
canciones de cuna e nanas da língua espanhola são interpretadas por Tish Hinojosa, "cantante" méxico-texana, Clara Alonso, a diva da ópera de Cuba, Nelie Lebron, líder da banda afro Paracumbé, de Porto Rico, entre outros. Assim, são as cordas de violão que dão o tom para quase todo o disco de 17 faixas com acalantos tradicionais e modernos (leve-dançantes como o
son). Destaque para
La Cuna de Tu Hijo, com Mili Bermejo, e
Drume Negrita, em gravação antológica de Bola de Nieve; em outra faixa, ouvimos a mesma canção em arranjo para violão solo de Leo Brouwer, com Ricardo Cobo.
O Brasil aparece representado pela canção Bambalalão, em arranjos de Marcus Viana.
Celtic Lullaby
Gales, Irlanda, Escócia, Inglaterra em 19 canções que misturam a melodia da língua inglesa e do gaélico, a vaporosidade dos acalantos e dos "carols" (canções de natal), a trama de vozes e harpas, gaitas de foles, mandolins, flautas...
African Lullaby
O disco editado pela Ellipsis Arts mistura artistas do Afropop e intérpretes de melodias tradicionais, como Mor Dior Bamba ou o grupo Ladysmith Black Mambazo que, novamente presente em mais uma coleção de acalantos do mundo, traz o clima que inspira (e aspira) a paz, com a canção Thula Mtwana, feliz nos feitiços da tribo zulu para atrair a sorte para as crianças bem-amadas.
Brazilian Lullaby
Sempre há uma curiosidade de saber como o Brasil é visto por olhos estrangeiros. Voilá. Por ouvidos... Nas mesclas da gravadora Ellipsis Arts, Nana Nenem que a Cuca vai pegar, Boi da Cara Preta,
Murucututu, Bambalalão, Se essa Rua fosse Minha, etc. defendem o ponto de poesia da tradição popular, nas vozes de Tomaz Lima, Priscilla Ermel, Magda Pucci e do Grupo Roda Pião.
Exemplos da produção contemporânea são extraídos, em sua grande maioria, do álbum Canções de Ninar, do selo Palavra Cantada (1994). Som que ainda tem cheiro de novidade são a canção indígena Nhanderu Rymbaje, com Tenonde Porã, e o misto resgate&invenção Tutu Evora, das meninas do grupo Mawaca.
Mediterranean Lullaby
De 1998 para o ano 2000, poucas coletâneas não foram realizadas pela gravadora Ellipsis Arts. Dessa vez, as nanarissas mediterrâneas revelam o carinho da Grécia, França, Itália, Espanha, Israel, Líbano, Marrocos...
Cuban Lullaby
Um toque "Buena Vista Social Club" para acalentar niños:
Drume Negrita, na voz de Omara Portuondo -- mas Bola de Nieve também canta a mesma canção, além do piano em Drume Mobila e Lacho. Esta última canção, por sua vez, também é interpretada por Merceditas Valdés -- que também canta Juegetón.
Todo o disco vale pela raridade de algumas gravações que seriam impossíveis de serem comercializadas não fossem as facilidades tecnológicas de produção e distribuição do "compact disc".
Peter O'Sagae abril/2002
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